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Quantum of Solace. Batido, não mexido.

Seis martinis. Batidos, não mexidos.

"Seis martinis, por favor. Batidos, não mexidos."

Eu sempre gostei dos filmes do 007. Uns mais, outros menos, mas a franquia sempre esteve em alta no meu conceito (e no de muita gente).

Portanto, algo que não me desce bem é esse novo estilo de James Bond que querem me empurrar goela abaixo.

Toda a graça de assistir um filme do 007 era por conta da nossa percepção de que ele não era apenas um Jack Bauer da vida (por mais que eu goste de 24 Horas). Existia todo um universo de glamour que cercava o personagem. Basta ver que qualquer paródia ao personagem envolve sempre o uso de smoking ou terno bem alinhado. Os trocadilhos e piadinhas de duplo sentido também eram marca registrada.

No entanto, esse “novo” 007 virou um Jack Bauer. Na ânsia de mostrar o lado mais vingativo e bruto, os escritores transformaram o agente em um porradeiro de primeira categoria, um Rambo, mas que não é apreciado pelo público que espera um espião cerebral, racional.

Só espero que depois dessa trilogia “Quantum”, eles consigam ressucitar o espírito antigo de James Bond.

Porque todos deveriam ler Tocqueville

Cada vez que eu acho que já vi de tudo, algo me surpreende mais ainda.

william_bonner

“Boa noite”

Veja você que o Jornal Nacional de hoje nos informa que vários municípios Brasil afora – inclusive Rio de Janeiro e São Paulo – não terão debate entre os candidatos a prefeito por causa do “cerceamento da liberdade de imprensa” pela legislação eleitoral.

Cerceamento da liberdade de imprensa? Como assim?

Calma, eu explico. A legislação eleitoral exige que os debates sejam conduzidos com todos os candidatos, mesmo que só apareçam com 0,000001% das intenções de voto nas pesquisas de opinião. Ao olhar leigo, não parece muito razoável. No entanto, para que se garanta a exposição por igual de todas as opiniões, é necessário assegurar igual exposição de todos os candidatos no debate.

Para evitar que um debate televisionado tenha 10, 15 candidatos, tornando-o tornaria praticamente inviável em termos de programação televisiva, normalmente a emissora entra em acordo com os candidatos ditos “nanicos”: em troca de uma maior exposição na programação normal (telejornais, entrevistas, etc.), o candidato abre mão de participar do debate.

Como alguns canditatos dessas cidades não entraram em acordo com a emissora, o debate não será realizado.

A questão é: o JN afirmou (algumas vezes, se minha memória não me falha) que esta impossibilidade seria conseqüência de um cerceamento da liberdade de imprensa provocado por essa legislação eleitoral que mencionei.

Não.

Os requisitos dispostos pela lei são totalmente razoáveis. Como já afirmei, eles objetivam garantir a ampla e irrestrita exposição de todas as idéias e vertentes políticas, garantindo o direito à livre expressão.

A emissora não está impedida de realizar o debate. Ela pode realizá-lo com todos os candidatos. Só não o quer. Não entrarei no mérito da razão dessa negativa aqui, não me cabe fazer sensacionalismo, ainda que minha indignação com essa atitude seja imensa.

A liberdade de imprensa não foi, em qualquer momento, cerceada.

Segundo um press release da emissora:

A imprensa deve cobrir o que é notícia, de forma livre e espontânea: aqueles que, ao longo do processo, ganham densidade eleitoral são naturalmente mais bem cobertos, crescem nas pesquisas e asseguram um lugar nos debates. É assim a dinâmica no mundo democrático. É como deveria ser aqui também.

Não, não é como deveria ser. Uma maioria que vota em um candidatos não pode impedir que uma minoria que vota em outro tenha sua opinião amplamente divulgada. É um dos pressupostos de um regime democrático. Portanto, os candidatos que não “ganham densidade eleitoral” e não “crescem nas pesquisas” também “asseguram um lugar nos debates”. Por que excluir a minoria do processo democrático? Por que impedir que suas idéias também sejam debatidas e expostas?

Eu gostaria muito, muito mesmo de saber a verdadeira resposta.

Agora foi

Nessas horas, é meio chato e insensível alguém falar isso, mas…

Eu avisei

Eu avisei.

E avisei bem antes.

Agora vamos ver no que vai dar…

Não acredite na imprensa

Estava eu procurando notícias da Olimpíada desse ano e acabei trombando com esse artigo da Folha Online: China proíbe fotos com flash e sombrinha na Olimpíada.

Basicamente, o artigo esculhamba com certas restrições impostas pelo BOCOG - o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Beijing. Algumas, como tirar fotos com flash, chegam a ser risíveis, mas têm sua razão de ser. No entanto, a autora resolve, como muitos jornalistas - e até mesmo blogueiros - criticar as medidas. Claro, é mais fácil bater em cachorro morto.

Obviamente, não estou aqui defendendo políticas estatais chinesas. Até porque eu cordialmente discordo de muitas delas. O que quero defender aqui é a moral e os bons costumes a imparcialidade da informação apresentada ao público, em detrimento do jornalismo sensacionalista que essa reportagem nos mostra.

Falar palavrões, usar sombrinha e tirar fotos com flash estão na lista de comportamentos não-recomendáveis e até proibidos divulgados pelo Comitê de Organização dos Jogos Olímpicos de Pequim na segunda-feira (14).

Do jeito posto pelo artigo, realmente parece algo absurdo. Fiquei curioso para saber dessas restrições, então fui visitar o site da Olimpíada, o qual possui uma clara seção de “House Rules”, ou Regras da Casa. Antes de começar a ler, vamos colocar na cabeça que, por mais que nós não concordemos com espancamento de monges repressão armada de indivíduos que ameaçam a ordem do Estado, o país é deles, ok? Vai quem quer.

Falar palavrões é reprovável sim, especialmente na cultura oriental que é largamente baseada em códigos de honra. Mas, convenhamos: fora os palavrões em inglês e chinês, acho que poucas pessoas vão notar se um brasileiro gritar “filho da p*ta”, ou se um francês exclamar “merde!” em algum dos locais de competição. Então, na prática, é mais um pedido do que um comportamento reprovável. De qualquer maneira, não vi nenhuma regra explícita contra palavrões nas House Rules.

Usar sombrinha: aí o bicho pega. Eu não gosto de ir ao cinema e que uma pessoa abra uma sombrinha na minha frente. A mesma regra se aplica ao Maracanã e outros lugares de competição. Todavia, a regra da casa não é tão ridícula quanto a reportagem nos faz pensar:

Opening umbrellas or parasols in the seating areas, standing for long periods and blocking the view, or any other behavior that affects the enjoyment of other spectators.

Ou seja: não são nem sombrinhas. A regra é clara, e fala de guarda-chuvas ou pára-sóis (eita plural estranho… avisem se estiver errado) que estiverem bloqueando a vista dos outros espectadores. Até aí, tudo dentro do bom senso.

Dentro das áreas onde ocorrerão os jogos, é definitivamente proibido vestir-se com roupas iguais (à exceção dos atletas competidores e da equipe de torcida oficial), levantar faixas, mostrar pôsteres comerciais e sacudir bandeiras de países que não estejam participando da Olimpíada, informou a agência de notícias estatal Xinhua.

Será? Não posso ir com meu amigo, ambos vestidos de verde e amarelo?

Deliberately displaying signage on clothing or other items; group displays of identical or similar patterns, color combinations or commercial logos on clothing.

Aqui na minha terra, dona Folha, “exibições de estampas ou cores idênticas ou similares nas roupas” é uma coisa chamada uniforme. Basicamente, os chineses não querem torcidas organizadas de hooligans em seus estádios e arenas. Compreensível, até por razões de segurança. E, convenhamos, se eles realmente não permitissem roupas iguais, a torcida chinesa ia ter um baita problema quando chegasse aos locais de competição. Qualquer político de qualquer nacionalidade e qualquer regime político adora ver um estádio cheio de gente com as cores da bandeira nacional.

Quanto aos logotipos comerciais, faz sentido, foi até aplicado nos XV Jogos Panamericanos, aqui no Rio. Ninguém vai te proibir de entrar com aquela camisa da Adidas com um símbolo minúsculo no peito, mas nada de bandanas da LG ou camisas promocionais com um “Samsung” gigantesco. Bom senso é a chave do sucesso.

Ficar bêbado, fazer apostas, tocar instrumentos musicais, tirar fotos com flash, acender isqueiros, ficar de pé na área das arquibancadas sentadas, proteger-se do sol com sombrinhas e gravar imagens com câmera de vídeo profissional também são considerados comportamentos inadequados, que perturbam a “harmonia” do evento.

Desses, todos são compreensíveis. Maquininha digital da Sony que o turista acabou de comprar no duty free, ok. Câmera profissional com uma mega teleobjetiva, nananão. Tudo nos conformes.

Por falar em câmeras, vamos à proibição de fotos com flash. Será mesmo que é tão radical assim?

Any behavior that disrupts the athletes, games officials, and coaches, that interferes with the smooth running of the event, or impedes other spectators from watching, including but not limited to, using a flash to take pictures, being in a drunken state, and disobeying instructions from the staff

Ah, então tá certo. Atrapalhar atletas ou espectadores com flashes cegantes, proibido. Tirar foto com flash do corredor que está lá embaixo na pista, permitido. Beleza pura.

The provisions in this Official Spectator Guide may be interpreted slightly differently at individual venues. This discretionary power resides with the Beijing Organizing Committee of the 2008 Olympic Games (BOCOG). For more information on venue opening times and regulations please call (+86 10) 12308. BOCOG provides services in 14 languages and dialects in all, including Mandarin Chinese, English, French, Japanese, Korean, Russian, Spanish, German, Italian, Portuguese, Mongolian, Arabic, Cantonese, Southern Fujian Chinese dialect and others.

Como eu disse antes, o bom senso é a chave de tudo. E par.ce que, dessa vez, os organizadores chineses aprenderam a lição.

P.S. Para os interessados, existe um enorme “Guia Oficial do Espectador” disponível no site olímpico. E não custa ler as Regras da Casa na íntegra.

Cinema Lotado

Fui hoje assistir Batman pela segunda vez. O filme, em si, é sensacional, e metade da blogosfera já fez análises muto melhores do que eu jamais poderia fazer sobre o filme. A questão é que, segunda-feira, quando fui ver o filme pela primeira vez, vi em uma sessão à qual compareceram uns cinco idosos e eu. Hoje, o cinema (mesma sala) estava lotado.

Quando o filme começou, não pude deixar de ser incomodado pelo burburinho que tomava conta da sala. Claro que lá pelos 20 minutos de filme já não ouvia mais nada a não ser o Coringa perguntando “why so serious?”, mas, se o mastigar coletivo de pipoca incomoda a mim, um espectador casual, a um cinéfilo deve provocar impulsos suicidas.

Além disso, o cinema ao qual fui é um desses moderninhos, que aplicam o conceito teatral de lugar marcado. Ou seja: em um cinema lotado, conflitos acerca da legítima posse de uma poltrona obviamente surgem, quase espontaneamente. Pior: surgem com o filme já rolando na tela. Além do “why so serious?”, eu tinha que aturar a maravilhosa educação brasileira bradando “senta aí” e “cala a boca” no meio do filme.

O ápice dessa maravilhosa experiência ocorreu logo no final do filme, quando uma delicada senhora gritava repetidas vezes “cala a boca ou vá para casa” para alguém. Minha vontade, realmente, foi de parar o filme e pedir para a delicada cidadã se identificar. O constrangimento social é a arma mais eficaz contra a falta de bons modos e de normas de convivência.

Depois dessa, estabeleci uma diretiva pessoal. Só vou a cinema em sessões à tarde, quando só eu, cinco idosos e o ator estamos ali, cúmplices nas tiradas cômicas e nas cenas dramáticas. Eu realmente não preciso de mais 200 pessoas rindo comigo para entender a ironia contida em alguma tirada do Batman ou do Coringa, e menos ainda para achar graça em alguma piada.

Democracia da Informação

Sede da Organização das Nações Unidas em Nova York

Sede da Organização das Nações Unidas em Nova York

Eu gosto muito da ONU (#prontofalei). Apesar de toda a pesada burocracia, de toda a politicagem interna que existe por cargos, etc, eu gosto de acreditar que, antes que os georgianos e russos caiam na porrada pela Abkházia, alguém no Conselho de Segurança das Nações Unidas vai levantar a mão e falar: “que porra é essa?”.

Como reza a Carta das Nações Unidas, a ONU é uma instituição democrática, que preza os direitos humanos, aquele blá blá blá de sempre. E, como qualquer pessoa esclarecida sabe, não existe democracia sem liberdade de informação.

Levando esse princípio um pouco mais longe, pode-se afirmar que a democracia fica difícil sem facilidade de informação. Nenhum europeu comum pega as trocentas páginas do orçamento da União Européia e as disseca para ver “se está tudo certinho”. Por isso, existe uma página “for dummies” só sobre o orçamento europeu.

Portanto, me fazia muito gosto saber porque a ONU torna tão difícil o acesso às suas resoluções.

Calma, eu explico. Digamos que eu queira falar da resolução A/RES/377(V), a famosa resolução “Uniting for Peace”, que reduziu em muito as conseqüências de um veto de um membro permanente do Conselho de Segurança. Se eu fizesse um link direto para o arquivo na página das Nações Unidas, daria de cara com uma delicada página de erro:

NO AUTHORIZATION

In case you use personal firewall, please adjust the privacy settings for this web site.

Legal, né? Para acessar a resolução, é preciso navegar por algumas várias páginas do site oficial da ONU, até achar essa aqui, que contém todas as resoluções da 5ª Sessão da Assembléia Geral. Então, quando se clica no link daquela página… Mágica, o PDF da resolução surge em toda a sua glória.

Pensando melhor, acho que a burocracia na ONU é um problema bem grave.

Será que agora vai?

Eu nunca falei muito de um dos meus “hobbies”, que é acompanhar as coisas que ocasionalmente são jogadas no ventilador da política internacional. Uma delas são as constantes crises diplomáticas entre a Geórgia e a Rússia.

Mapa pol?tico da Geórgia

Mapa político da Geórgia

Para resumir: a Geórgia, que fazia parte da antiga União Soviética, resolveu abrir as asinhas e buscar sua inclusão na Europa, em detrimento de permanecer na chamada “área de influência” russa. A tal área vem diminuindo desde 1991, com a queda da URSS. Para comprovar isso, basta ver que países como República Tcheca e Polônia hoje fazem parte da OTAN e da União Européia. Obviamente, a Rússia não gosta disso, e faz chilique toda vez que as palavras “alargamento” e “OTAN” estão na mesma frase.

"C'est quoi, l'Atlantique?"

"C'est quoi, l'Atlantique?" Por Chappette, "Le Temps".

Não por coincidência, a Geórgia e a Ucrânia são as próximas na fila para entrar na OTAN. Mas a Rússia ameaça remilitarizar sua fronteira européia, sair de tratados de limitação de armas estratégicas (leia-se forças nucleares), entre outras coisas agressivas, o que deixa metade da OTAN com um pé atrás.

Mikheil Saakashvili e George W. Bush

"Perdeu, Putin!"

A Geórgia tem o agravante de ter sofrido uma revolução em 2003, que retirou do poder o governo de Shevardnadze, fiel a Moscou, e o substituiu por Saakashvili, um homem mais propenso a negociar com o Oeste. Além disso, o país conta com duas regiões separatistas: a Abkhasia e a Ossétia do Sul. Ambas são, de facto, independentes de Tbisili, mas não existe reconhecimento algum da comunidade internacional de sua soberania em relação à Geórgia.

O que vem ao caso aqui é que a Ossétia do Sul quer se juntar à Ossétia do Norte, que, por acaso, é território russo. Claro que a Rússia gosta dessa idéia, só pelo fato de que isso criaria instabilidade no governo georgiano, que não é lá muito amistoso aos seus interesses.

E estamos nessa há algum tempo já. A Rússia tem missões de peacekeeping na Abkhazia, que são freqüentemente acusadas de pequenos conflitos com forças georgianas na fronteira, servindo apenas para provocar a troca de acusações entre os dois governos. Recentemente, até um UAV georgiano foi derrubado por um MiG-29 russo.

Mas agora os russos realmente se superaram. Segundo a RIA Novosti, um “exercício” militar com munição “de verdade” está ocorrendo agorinha… na Ossétia do Norte.

Vladimir V. Putin

"Veja bem..."

Tá bom, Putin. Ou Medvedev. “Exercício”. Me engana que eu gosto.

Ficha Criminal: A Rita

Só se percebe que o Direito começou a dominar sua vida quando você ouve uma música e começa a pensar no seguinte…

A Rita levou meu sorriso
No sorriso dela
Meu assunto
Levou junto com ela

Código Penal:
Furto
Art. 155: Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

E o que me é de direito
Arrancou-me do peito

Lesão Corporal
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano.

E tem mais
Levou seu retrato, seu trapo, seu prato
Que papel!
Uma imagem de são Francisco
E um bom disco de Noel

Ainda sobre o furto perpetrado pela ré.

A Rita matou nosso amor

Homicídio simples
Art 121. Matar alguém:
Pena - reclusão, de seis a vinte anos.

De vingança

Homicídio qualificado
Art 121, § 2° Se o homicídio é cometido:
[...]
II - por motivo futil;
[...]
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.

Nem herança deixou
Não levou um tostão
Porque não tinha não
Mas causou perdas e danos

Código Civil (2002):
Título IV - Do Inadimplemento das Obrigações
Capítulo III - Das Perdas e Danos

Levou os meus planos
Meus pobres enganos
Os meus vinte anos
O meu coração
E além de tudo
Me deixou mudo
Um violão

Ainda por cima, tornou inoperante o instrumento de trabalho do de cujus, caracterizando lucro cessante.

Nesses termos, pede deferimento.

O Conceito…

“Maldito seja.”, resmungava ele entre os dentes. “Maldito seja o desgraçado que inventou essa porcaria de CR”.

Eram duas da madrugada, e há três horas ele estava empacado no mesmo assunto. Sua situação acadêmica na faculdade não era lá essas coisas: da última vez, já não havia conseguido matrícula com dois professores que diziam serem bons. “Besteira”, ele dizia para si mesmo. “Isso de pegar só os melhores professores é furada. Na metade do semestre você enlouquece”. A verdade é que ele gostaria de ter aula com eles. Pelo menos alguns.

Voltando sua atenção para o tijolo jurídico que descansava, insólito, em sua velha mesa de estudos, ele retoma a leitura. “O conceito de encargo jurídico…”

O despertador toca, despertando o futuro “dotô” de seu sono profundo. Já levemente atrasado, ele se apressa no banho para chegar a tempo da prova. Não faz a barba. “Não tenho tempo”.

Sentado na carteira, lentamente repassando o que havia estudado na noite anterior, ele recebe a prova das mãos do professor. Questão nº 1: Defina encargo jurídico. “Filho da p…”

Pós-apocalipse: e agora?

Deixando um pouco de lado a linha mais pesada e pseudo-literária do blog, resolvi falar de coisas mais leves, como pós-apocalipse. O iminente lançamento de outro filme sobre um mundo no qual um vírus maluco escapou das lâminas laboratoriais e transforma pessoas contaminadas em zumbis me fez pensar: e se acontecesse aqui, no Rio de Janeiro?

A Causa

Aproveitei um encontro com uns amigos em um restaurante recentemente e introduzi o assunto: o que faríamos se só restássemos nós no Rio?

A discussão foi bastante interessante. Primeiro, teríamos que definir o cenário pós-apocalíptico da cidade.

Sim, claro, tinha que ser um vírus. Nesse caso, há duas opções: a clássica contaminação por mordida de zumbi ou a nova disseminação pelo ar. A vantagem de um vírus transmitido pelo ar é que, geralmente, pessoas imunes também têm imunidade contra mordidas. A desvantagem é que dependemos de uma loteria genética para ter a tal imunidade, o que diminuiria bastante as chances de todos os que estavam à mesa estarem vivos para aproveitarmos a vida pós-apocalíptica. Portanto, o vírus seria transmitido da maneira clássica, por mordida ou troca de fluidos corporais (sem sentido erótico).

Os efeitos dos vírus já vistos no cinema são diversos: alguns causam a morte do hospedeiro para depois “ressucitá-lo”, já devidamente zumbificado. Outros não necessitam da morte, causando uma repentina mudança na mente do infectado que o leva ao zumbificamento em poucos minutos ou alguns dias. A idéia de morte não me apraz, mas, como não pretendo ser infectado, escolho a supracitada. A razão é simples: esconder uma mordida é fácil, mas esconder uma febre de 40°C não o é.

Zumbis

Estabelecida a causa, vamos às conseqüências. Existem dois tipos de zumbi: os burros e lerdos e os espertos e ninjas. Espertos te seguem até seu esconderijo e planejam ataques em ondas de invasão, não gosto disso. Prefiro os burros. São mais fáceis de acertar com uma M16.

Existe vida após o apocalipse

Estabelecido o universo, decidimos o que iríamos fazer, e acabamos bolando um plano razoavelmente bom. A começar, um de nós pegaria um carro e pegaria os demais. A seguir, uma parada na loja de armas e munições mais próxima. Depois de nos armarmos até os dentes, poderemos nos divertir um pouco. Concessionárias de carros importados são o próximo item da lista. Afinal, o que é um grupo de sobreviventes sem um comboio? Temos estilo.

Iremos nos instalar na suíte presidencial do Copacabana Palace. Homens cuidam da segurança e mulheres da alimentação. Esperaremos até alguma nação não-infectada vier nos resgatar graças ao imenso SOS escrito no teto. Até lá, temos uma grande metrópole à nossa disposição, e muita diversão nos aguarda.

O que você faria no pós-apocalipse?

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